sexta-feira, 12 de março de 2010

Lado A, Lado B e ás vezes, Lado C...

Pois esta noite, lá pelas 5h da manhã, quando minha filhota começou a "minhocar" na minha barriga não me deixando dormir, comecei a pensar em inúmeras coisas diferentes... Bem, os outros pensamentos não vem ao caso (neuras de mãe!) mas me peguei pensando na dualidade do ser humano.

Tem um poema do Olavo Bilac que gosto muito chamado Dualismo que fala dessa condição demasiada humana em que vivemos e nos colocamos.

Somos humanos. Passíveis de erros.Ás vezes, erros propositais. Ás vezes, maldade pura mesmo. Ás vezes, movidos por ambição, desejo, loucura, capazes de feitos inacreditáveis... Mas me peguei devaniando sobre nós, humanos, que erramos por que gostamos de errar...que erramos e somos cruéis com a desculpa apenas de "sermos humanos"... E isso me deixou putaaaaa da cara!

Não admito maldade, de nenhum tipo. Ontem ainda estava assistindo pela enésima vez Tropa de Elite e de certa forma ficava triste com as cenas de tortura (ok, é cinema...mas mesmo assim...)...

O ser humano, (demasiado humano como dizia Friedrich) não sabe diferenciar bom e mal quando há interesse próprio em jogo. Nossa capacidade altruísta vai apenas até onde começa nosso interesse financeiro x profissional... no jogo de subir degraus do sucesso, vale pisar nas cabeças alheias que se atravessam... e isso, pra mim, é um pouco demais...

A capacidade de maldade que temos é tão imensa e diretamente proporcional à nossa capacidade de dissimular sentimentos, que ás vezes o ser humano me assusta... Me assusta saber que a vida não tem valor pra algumas pessoas, me assusta saber da normalidade que se tornou machucar, maltratar e matar outros seres vivos... Me assusta a banalidade que se tornou demonstrar nosso lado negro, por vezes sendo até incentivado pelos vários meios de comunicação existentes...

Ser humano dúbio, com a imensa capacidade de ser bom e mal ( e como diz Bilac "...és triste e humano..."), com a inconstância de um oceano de sentimentos e capacidade de "...horrores e de  ações sublimes..." deveria focar-se em controlar seus ímpetos e não instigá-los a tornarem-se incontroláveis...

Tenho medo da onde vamos chegar, de para onde o mundo está correndo...toda essa falta de tolerância, toda essa falta de educação, amor ao próximo e falta de respeito tende a piorar... E o que será de nós?

Mas se eu falo, sou careta...se não falo, sou omissa... Opto pelo Lado C então: o de fazer minhas ações serem mais pensadas e não servir como um mau exemplo. Desses, estamos até o pescoço.
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Dualismo - Olavo Bilac

Não és bom, nem és mau - és triste e humano
Vives ansiando em maldições e preces
Como se a arder no coração tivesses
O tumulto e o clamor de um largo oceano

Pobre no bem como no mal, padeces
E rolando num vórtice vesano
Oscilas en tre a crença e o desengano
Entre esperaçnas e desinteresses

Capaza de horroes e de ações sublimes
Não ficas das viortudes satisfeitas
Nem te arrepende - infeliz - dos crimes

E no perpétuo ideal que te devora
Residem juntamente em teu peito
Um demônio que ruge
E um deus que chora
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Aaaai aaaaaai... (suspiro)

Xoxo

segunda-feira, 8 de março de 2010


O Poço




Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.

Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.

Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.

Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres

(Pablo Neruda)

Acordei com saudade dos grandes poemas...das grandes frases...da sensibilidade artística que não vemos mais tão explicitamente hoje.
Pode ser por que hoje é Dia da Mulher...por de simplesmente por que eu tô afim...
Como muitos outros, Neruda fala por mim tb...sentimentos tão grandes e puros e intensos que não ouso - e não sei - expor...então, me deixo levar pelas palavras dele...me seduzir pelas linhas bem escritas...e me deleito sorrindo ao final de cada poema lido...

sexta-feira, 5 de março de 2010

Fica quieto então...



Por que antes de falar, é bom pensar nas consequências
Antes de prometer, é melhor pensar nas consequências
Antes de demonstrar, é melhor pensar nas consequências

Por que é mais útil o silêncio do que falsas palavras
Palavra dita é permanente, não tem volta
Atitudes impensadas não tem volta
Machucados deixam cicatrizes, as vezes desnecessárias

Por que ser homem é diferente de ser um rato
Por que aproveitar uma situação é diferente de se aproveitar de quem dela se faz presente
Por que sensibilidade não é apenas coisa de mulher, é coisa de homem esperto
E homem esperto está em falta no mercado

Eu deixo aqui minha indignação aos meio-homens
Aqueles que falam sem pensar, agem sem pensar, demonstram sem pensar
Pra depois dizer que "nós entendemos tudo errado"

Tá bom...abre a boca e fala direito então. Nem meias-palavras em palavras mal ditas.
Palavras inteiras, explícitas, declaradas.

Odeio meio homem.

Ps: Vaiiimmm tomaarrrrmmm no cúúúúúmmm.... - Ú,Ú,Ú - vai tomar no cú! - e todas as variações possíveis!
Extremamente irritada com um caso mal resolvido de uma das minhas amigas queridas!

terça-feira, 2 de março de 2010

De supetão...

"E no perpétuo ideal que te devora
Residem juntamente em teu peito
Um demônio que ruge
E um deus que chora..."
(Dualismo - Olavo Bilac)

Assim...de repente me vejo dando conselhos pros meus pais...Peraí?! Eu sou a filha.

A filha mais nova, a caçula, a "rapa do tacho"...eu deveria ser (mais!) mimada...mas me vejo aconselhando meu pai sobre dar ou não aviso prévio para funcionários; aconselhando minha mãe a esquecer o passado; a minha irmã de curtir o presente...e mais uma série de coisas.

Onde foi que eu, de repente, consegui toda essa responsabilidade?

Será que depois que descobri que vou ser mãe, me posicionei de forma austera suficiente para "dar conselhos"? Será que ninguém vai me dizer que eu preciso "cuidar da minha vida"!!?

Me vejo hoje sendo consultada para decisões difíceis...e por vezes estranhas...

Ontem me dei de conta de que me abro pouco com minhas amigas. Sim, claro que conversamos, mas eu sei mais delas do que elas de mim...daí pra exercitar, tomei um café com a minha cumadre ontem e adivinha??? Fiquei sabendo mais dela do que ela de mim... Isso me soou estranho, por que de repente não me reconheço como uma pessoa aberta, o que pra mim sempre foi muito latente e claro e óbvio e normal...

Me parece agora que eu não sou tão aberta assim... E isso me confundiu um pouco: será que eu falo pras pessoas as coisas que eu quero contar ou só o que elas querem ouvir?

Porque tenho dentro de mim tantas coisas inusitadas - e não-faláveis ás vezes - que prefiro aquele silêncio mórbido ou ditados populares. Amo uma boa filosofia de butequim!

Porque guardo dentro do meu peito histórias estranhas e que conto aos pedaços apenas - se as pessoas apavoram-se com algumas delas agora, melhor não contar todas...

E se tudo que eu sempre contei foi uma meia verdade da minha vida? Uma partezinha apenas pra compartilhar alguma coisa e não ficar no silêncio autista-por-opção que a Sasha diz que entro ás vezes (me dá um livro e eu juro que não escuto o que tu diz!!!)...

Eu odeio "meias e meios". Meia verdade, meia mentira, meia foda, meio grávida...essas coisas não existem!
Mas me pego pensando hoje se não mostrei apenas meia de mim mesma pras pessoas que são inteiras na minha vida.

Se, como a Fê diz, ou me amam ou me odeiam por ser intensa e insuportável ao mesmo tempo apenas mostrando pedaços de minhas entranhas, o que vai acontecer se eu resolver mostrar todas as entranhas que eu tenho?!!

"O mundo não está preparado para pessoas como tu" e "Tu desperta o que há de pior no ser humano". Se é assim mostrando meus meios, quero estar longe de mim quando resolver mostrar minhas partes inteiras...

Xoxo

segunda-feira, 1 de março de 2010

José Mindlin

Vi hoje pela manhã a notícia que José Mindlin morreu. Pra quem não sabe, ele foi um defensor da leitura, colecionava livros, era imortal da Academia Brasileira de Letras ("Trocaria a imortalidade por mais 10 anos de vida. - E o que vc faria com mais 10 anos? -Eu leria mais, cada vez mais livros!) enfim, como os amigos os descreviam: "um homem impecável!"

Bem, pra uma amante de livros e livreiros que sou, eu sinto a morte dele não por ele pessoa - mas por ele exemplo. E são esses bons exemplos que um país carente de educação precisa...precisamos ler mais, precisamos nos integrar com as letras - viajar, aprender, nos consumirrrrrr de paixão por livros grossos, pesados e cheios de história.
Meu sonho - e sim, vai ser sempre apenas um sonho - é ter acesso aos pergaminhos secretos da biblioteca de Alexandria... As letras com cheiro de história...Os primeiros escritos... ai...ai...

Enfim, o Brasil perde um belo exemplo de que viajar, sonhar, sair desse mundo cruel não necessita de drogas pesadas - uma boa leitura, de um bom autor, tem exatamente a mesma capacidade alucinógena que muito aditivo...

Imitando Alexandre Garcia, no Bom Dia Brasil, que parafraseou Castro Alves em homenagem a Jose Mindlin, aí vai minha humilde homenagem a alguém que até pouco eu nem conhecia - mas me sinto afim como se fosse aquele avô querido, que nos lê histórias velhas e boas na beira da cama...

"Filhos dos séculos das luzes!

Filhos da Grande Nação!

Quando ante Deus vos mostrardes,

Tereis um livro na mão:

O livro - esse audaz guerreiro

Que conquista o mundo inteiro

Sem nunca ter Waterloo...

Éolo de pensamentos,

Que abrira a gruta dos ventos

Donde a Igualdade voou!...

Por uma fatalidade

Dessas que descem de além,

O século que viu Colombo,

Viu Gutenberg também.

Quando no tosco estaleiro

Da Alemanha o velho obreiro

A ave da imprensa gerou...

O Genovês salta os mares...

Busca um ninho entre os palmares

E a pátria da imprensa achou...

Por isso na impaciência

Dessa sede de saber,

Como as aves do deserto -

As almas buscam beber...

Oh! Bendito o que semeia

Livros... livros à mão-cheia...

E manda o povo pensar!

O livro caindo n`alma

É gérmen - que faz a palma,

É chuva - que faz o mar."

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Bem, o mundo voltou ao seu giro normal e o ano oficialmente começou, agora que passou o carnaval no Brasil... E desde que virou o ano, é só desastre em cima de desastre (deslizamentos de terra, terremotos, enchentes...)...ééééé...mãe natureza está mostrando seu poder, finalmente! E enquanto isso, o ser humano só quer saber de...ganhar dinheiro! ahsuaushuas

De qualquer forma, vida voltou ao normal...e para mim, que estou quase lá, com 35 semanas de gestação, tudo está com expectativa paricularmente diferente e interessante...as coisas tem um novo gosto, as cores tem um novo tom...tudo é mais cor-de-rosa, tudo é mais maravilhoso e "melhor de bom".

Fiz meu chá de bebê ontem e contei com a presença de pessoas mais que especiais...ganhei presentes maravilhosos e dei muita risada...amigos são, realmente, um bem precioso e cada vez mais raro...

Estou oficialmente de férias e procurando descansar para receber a minha princesa beeeem relax - e poder perder então as noites de sono ganhando aquele choro e aquele olhar que só um bebê tem...

Minha irmã Rejane, dinda da Laís, veio para o chá, divertindo-nos do jeito dela e que só ela sabe como fazer: sagaz, ácida e meio neurótica. Amo!!!

Agora, é só relax!

xoxo

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Das coisas que eu odeio...

... o carnaval está entre os TOP 5...

Blargh!