Um belo dia acordamos e vemos o que não queremos: ali, ao lado dos olhos, a marca das risadas histéricas ao longo dos anos: dois pés de galinha, um de cada lado da nossa cara, a marcar os olhos em um sinal irrevogável de que estamos, inevitavelmente, ficando velhas.
Um belo dia acordamos e nos damos de conta de que nossos amigos não são mais os mesmos, de que temos idade demais (ou não temos, depende pra fazer o quê), de que somos adultos, de que temos filhos... de que nossos joelhos doem, nossas costas doem, nossos peitos cairam e aquela calça skinny maraaaaaavilhosa...está apertada.
Então buscamos desesperados por nós nas academias e nas fotos antigas, lembrando das festas com nostalgia e querendo nos sentir mais jovens, mas a verdade é que sabemos, lá no fundo, que o tempo não volta e blá blá blá clichê tradicional...
Hoje foi um desses (belos) dias. Não tenho mais 18 anos. Meus joelhos doem (Ô, se doem...). Já sou mãe. Já tenho rugas, de rir, graças a Deus, mas ainda assim são rugas... Minhas amigas não são as mesmas de 10 anos atrás (com raras e boas exceções...).
Me senti meio perdida em minha própria história, meio sem referência, porque de repente me vi longe daquilo que eu ainda acreditava que era meu, pelo menos um pouquinho.
Eu sei que não é. E que talvez nunca tenha sido.
Não trabalho bem com perdas, sou muito possessiva, dominadora. Eu tenho que largar, não ser forçada a deixar pra trás. Custo a admitir a derrota. Não sofro, longe de mim, mas fica aquela sensação de ter que reconquistar só pra largar...
Foram poucas as pessoas que largaram de mim, por que eu sou muito intensa ou por que sou muito louca pra aguentar...e é justamente dessas que hoje me deu saudade.
E hoje também me deu saudade da energia que eu tinha com 20 e poucos e que me falta hoje. Ah, bons tempos em que um casamento ao ar livre não me dava crise de sinusite.
Me deu saudade de mim, de algumas pessoas e da minha cara sem rugas.
É, tô velha!
Em forma...mas velha!!!
xoxo

